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Nada além do sangue de Jesus

Chegou o dia da Festa dos Pães Asmos, em que importava comemorar a Páscoa. Jesus, pois, enviou Pedro e João, dizendo: Ide preparar-nos a Páscoa para que a comamos. Eles lhe perguntaram: Onde queres que a preparemos? Então, lhes explicou Jesus: Ao entrardes na cidade, encontrareis um homem com um cântaro de água; segui-o até à casa em que ele entrar e dizei ao dono da casa: O Mestre manda perguntar-te: Onde é o aposento no qual hei de comer a Páscoa com os meus discípulos? Ele vos mostrará um espaçoso cenáculo mobilado; ali fazei os preparativos. E, indo, tudo encontraram como Jesus lhes dissera e prepararam a Páscoa. Chegada a hora, pôs-se Jesus à mesa, e com ele os apóstolos. E disse-lhes: Tenho desejado ansiosamente comer convosco esta Páscoa, antes do meu sofrimento. Pois vos digo que nunca mais a comerei, até que ela se cumpra no reino de Deus. E, tomando um cálice, havendo dado graças, disse: Recebei e reparti entre vós; pois vos digo que, de agora em diante, não mais beberei do fruto da videira, até que venha o reino de Deus. E, tomando um pão, tendo dado graças, o partiu e lhes deu, dizendo: Isto é o meu corpo oferecido por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este é o cálice da nova aliança no meu sangue derramado em favor de vós. Todavia, a mão do traidor está comigo à mesa. Porque o Filho do Homem, na verdade, vai segundo o que está determinado, mas ai daquele por intermédio de quem ele está sendo traído! Então, começaram a indagar entre si quem seria, dentre eles, o que estava para fazer isto. (Lc 22.14-23 – ARA)

Neste final de Quaresma, tempo propício para espera, oração e meditação nas Escrituras, vamos refletir juntos: Se não houvesse o cenáculo, se não houvesse o cumprimento das promessas da Páscoa e se Jesus não fosse o Cordeiro pascal definitivo, nós não teríamos esperança nesta vida ou no porvir. Não há como minimizar a importância de Jesus dizendo estas palavras chocantes: “Isto é o meu corpo oferecido por vós” e “Este é o cálice da nova aliança no meu sangue derramado em favor de vós.” Aqui está Jesus, naquela noite derradeira e tão cheia de afetos com seus discípulos, dizendo: “Eu sou a esperança da humanidade caída, porque sou o Cordeiro de Deus prometido que tira o pecado do mundo.”

Assim como o sangue que marcava os umbrais das portas dos israelitas no Egito significava que o anjo da morte pouparia essas casas, todos os que colocam sua confiança no Messias Jesus estão cobertos por seu sangue e, portanto, não suportarão a punição por seus próprios pecados. Portanto, não é suficiente que Jesus tenha sido um grande mestre. Se tudo o que ele tivesse feito fosse ensinar a verdade, mas não tivesse derramado seu sangue como o cumprimento de toda a verdade ensinada sobre o pecado e a redenção, então estaríamos condenados. Se tudo que Jesus tivesse feito fosse realizar curas físicas, ainda seríamos mortos-vivos espirituais. Se tudo o que ele tivesse feito fosse confrontar a falsa religião dos escribas, fariseus e saduceus, mas não tivesse continuado a ser o Cordeiro sacrificial que a religião verdadeira requer, estaríamos condenados. Se tudo o que ele tivesse feito fosse enviar seus discípulos com uma mensagem teológica, mas sem a autoridade conferida por seu sangue derramado e o derramamento do Espírito, então estaríamos sem esperança e sem Deus.

Mas ele é o Cordeiro Pascal. Ele é o cumprimento das antigas promessas da Aliança. Seu sangue nos cobre e nos purifica. Toda a história convergiu até este momento no cenáculo e o sacrifício da vida de Jesus que se seguiria.

Sempre que leio o relato do momento surpreendente registrado por Lucas, me vem à mente um cântico muito recorrente em nossas igrejas nos últimos anos. Ele foi composto por um músico britânico chamado Matt Redman e seu refrão se inspira em um hino escrito a quase 150 anos por Robert Lowry:

“Teu sangue leva-me além, a todas as alturas onde ouço a Tua voz
Fala de Tua justiça pela minha vida, Jesus este é o Teu sangue

Tua cruz mostra Tua graça, fala do amor do Pai
Que prepara para nós um caminho para Ele onde posso me achegar
Somente pelo sangue

Refrão:

Que nos lava dos pecados
Que nos traz restauração
Nada além do sangue…
Nada além do sangue de Jesus
Que nos faz brancos como a neve
Aceitos como amigos de Deus

Nada além do sangue…
Nada além do sangue de Jesus”

Que você vincule sua identidade, significado e propósito, sua bússola moral, suas esperanças e sonhos à mensagem entregue naquele “espaçoso cenáculo mobiliado” e ao momento real de sacrifício naquela colina fora da cidade. E que cada momento de pecado, fraqueza e fracasso seja pontuado por você cantando para si mesmo a resposta definitiva para uma pergunta crucial: O que pode lavar meu pecado?

Nada além do sangue de Jesus.

João Costa

João Costa

Juntamente com sua esposa Mariana, serve na Igreja Cristã Nova Vida da Tijuca (RJ). É Mestre em Estudos Teológicos pelo Reformed Theological Seminary e cursou História da Doutrina Cristã no Regent College. Atua como editor, tradutor literário e é embaixador do Gordon-Conwell Theological Seminary no Brasil, onde também é professor adjunto de Introdução aos Estudos Teológicos. Coopera com a equipe de coordenação acadêmica do Christian Halls e é diretor/tutor do Hall Nova Vida (RJ).

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